Mais uma vez fui votar descrente de tudo.

Só nessa terra varonil o voto é obrigatório. E você é obrigado a escolher entre o nada e o porcaria nenhuma.

Depois reclama-se quando um Clodovil ou um Tiririca são eleitos! É o voto de protesto. A pessoa pensa: “Ah, sou obrigado a escolher ladrões? Então vou votar no Tiririca só de sacanagem!”

E esse pensamento está no inconsciente coletivo. E milhões de pessoas o colocam em prática.

Odeio filas. Odeio gente lerda. Odeio esperar. E odeio dia de eleição, onde tudo isso se junta.

Esse ano a fila da minha sessão até que estava menor. Minha sessão já foi super tranquila, mas de um tempo para cá está um caos.

Hoje tinha uma meia dúzia de pessoas na minha frente. Fora aqueles que estavam lá para justificar.

E nós, pobres incautos, temos que ficar na fila e aguardar os pregos que cristalizam em frente à urna na hora de digitar, ou que parecem que deixam para decidir em quem vão votar só quando estão dentro da cabine.

Sem falar na galera da terceira idade que apesar de não mais precisar, insiste em comparecer para tumultuar ainda mais o exercício compulsório da democracia.

 Quando finalmente pensamos que chegará a nossa vez e que a tortura acabará, eis que surge mais um macróbio singrando em direção aos mesários, furando a fila e dispendendo um tempo absurdo na cabine de votação.

Nada tenho contra os idosos. Um dia espero chegar lá e ser tratada com respeito.

Mas de uma coisa eu tenho certeza. Quando eu fizer setenta anos vou exercer meu direito de não votar mais em mentiroso nenhum!

Vou inventar um programa bem legal para fazer em dia de eleição, enquanto os pobres diabos enfrentam fila.

SE, eu disse SE, eu me resolver a votar em alguém, vou para a fila como todo mundo. Se eu não puder aguentar fila não vou.

Não vou fazer como a senhorinha bem vestida, bem penteada, bem maquiada e com sapatos Chanel que passou na frente só porque tinha mais de setenta.

Quando eu tiver mais de setenta, vou calçar meus sapatos Chanel para passear por aí!