Minha saudosa bisavó, Dona Ritinha tinha algumas frases emblemáticas.

Uma delas era: “Não mexa com quem está quieto!”

Estava eu no recesso do meu lar, depois do almoço quando toca o telefone e uma mocinha com sotaque nordestino se identifica como sendo do Instituto Euseilá e perguntando se poderia fazer uma rápida pesquisa sobre serviços prestados. (???)

Como estava com humor razoável, eu topei.

– Como é seu nome?

– (na dúvida dei nome falso)

– A senhora mora em que bairro?

– Bairro Tal.

– Esse bairro fica em que parte da cidade?

– Parte tal.

– A senhora está falando do seu trabalho ou da sua casa?

– Da minha casa.

– Quantos anos a senhora tem?

– Quarenta e tal.

– Ah, então me desculpe, mas a pesquisa é para ser feita com pessoas até quarenta anos.

– Ahn??? Então por que você não perguntou minha idade em PRIMEIRO lugar, antes de perguntar essa xaropada toda???

– Hehe… A senhora me desculpe, viu?

(Batida de telefone)

Ora, onde já se viu? Eu aqui disposta a perder minutos do meu precioso tempo com uma incompetente, mal treinada e sem noção!

Vá tomar banho!

O que me consola é que eu menti meu nome e meu bairro. E minha idade! Para menos! Ahuahuehau!!!!!!

Alguns minutos depois me ligam do American Express para me oferecer ”uma promoção especial, para pessoas especiais como eu”. Tradução: queremos enfiar-lhe um cartão goela abaixo pra você gastar mais dinheiro e a gente ficar mais rico.

Ainda sob o efeito da pesquisa que discrimina a terceira idade (tá, segunda idade e meia…), cortei o papo na hora:”Olha eu não estou interessada.”

”Mas a senhora não quer nem saber do que se trata?”

Não!

Eu acho que uma das piores profissões que existem é atendente de telemarketing. A pessoa tem que ter uma auto-estima muito elevada para aguentar os descarregos, os xingamentos e todas as energias negativas que recebe por dia.

Vou encarar como um exercício de auto-controle o fato de eu não ter mandado a anta da pesquisa enfiar a mesma lá aonde o sol não bate.

E de ter rejeitado com firmeza, mas educação a pobre criatura do cartão American.

Para melhor deglutir o sapo engolido, vim aqui contar o caso nessas mal tecladas linhas.

Mas ainda estou puta da vida!