Quando eu penso que já estou curada deste mal, o virus noveleiro me ataca novamente.

Tento me convencer que estou mais exigente, que as novelas de hoje em dia são muito fraquinhas, que isso, que aquilo…

Em parte é verdade. Antes assistia a novelas de todos os horários. Das seis, das sete, das oito, até das dez quando tinha.

Hoje eu não consigo mais. Não sei se as novelas dos horários menos nobres estão mais para Malhação, e eu, enquanto senhora de meia idade, não tenho mais saco de aturar. 

Não sei se porque nestes horários estou sempre ocupada na minha função de dona de casa e mãe de família, quando não estou trabalhando.

 O fato é que só assisto a novela das oito. Ou das nove na verdade, pois das oito já não é há muito tempo.

Manoel Carlos é meu segundo autor favorito. O primeiro é Gilberto Braga, que apesar das mesmices das novelas de sua autoria, são aquelas que eu mais me identifico, pois o cenário é o mesmo aonde eu nasci e me criei. Então é como se fosse no quintal da minha casa.

As novelas do Manoel Carlos também são ambientadas na Zona Sul do Rio, mas se passam lá para os lados do Leblon, enquanto as do Gilberto são focadas em Copacabana, Arpoador, Posto Seis, que é a minha área.

Mas o Manoel Carlos é meu autor favorito para descer a lenha, pois ele deixa quicando como ninguém! Nem a Glória Perez consegue tanto!

Nas novelas dele é obrigatório: Helena, Doutor Moretti e Leblon.

Também tem sempre empregados dedicadíssimos que passam a novela toda a viver os dramas e alegrias dos patrões, sempre imaginando o que fazer para agrada-los. Ai, quem me dera alguém assim, pois diz a voz do povo que achar um bom marido é dificil, mas achar uma boa empregada é praticamente impossível!

 Além, é claro, do garanhão rico e maduro que só pega garotinhas.

Nesta novela, José Mayer faz novamente o papel de José Mayer, o garanhão acima citado. Já pegou a Helena da vez, a jovem e bonita Taís Araujo, que se pudesse voltar no tempo, garanto que não teria aceitado esse papel, pois vamos combinar que está muito ruinzinha a menina. Mais perdida do que cego em tiroteio. Sua química com o Mayer não deu liga.

Fico pensando que se o Zé Mayer fosse um garanhão maduro, mas pobre e assalariado, pagando pensão para  ex-mulher,  não pegaria nada além de gripe.

Outro lugar-comum das novelas do Mané (creio que depois de tantas novelas dele que eu já assisti, posso chama-lo assim): os dramalhões do cotidiano.

Já teve leucemia, síndrome de Down, etc.  e agora a moça linda, rica e mimada que fica tetraplégica. Afff, Mané, assim não dá, né?

Muito louvável a intenção de mostrar o mundo dos deficientes físicos e suas dificuldades que são muitas.

Muito fácil mostrar uma moça tetraplégica rica, com todos os recursos da medicina moderna a seu dispor, com família e amigos todos motivados a ajudar material e emocionalmente e com dois homens igualmente bonitos, ricos e bem sucedidos apaixonados por ela.

Gostaria que o querido Mané criasse uma personagem mais real. Talvez uma moça pobre, feia, abandonada pelo marido ou namorado, com pai e mãe que não se entendem, dependente do SUS, ou de um plano de saúde meia-boca.

Não é para mostrar a realidade? Então que seja mostrada sem o padrão Global de qualidade.

Ou então  nos dê aquilo que todo noveleiro aprecia numa novela: a alienação da realidade. Um mundo onde os bons são recompensados e os maus se ferram. Um mundo onde milagres acontecem.

Bom, meu balaio de lenha já está cheio por ora. Como ainda tem muita novela pela frente, talvez esse post tenha parte dois, três, etc.

Quem quiser descer a lenha ou acrescentar  alguns gravetos, be my guest!