Michael Jackson morreu ontem. Parada cardíaca, causas ainda não reveladas.

Eu e ele temos quase a mesma idade. Ele é um pouco mais velho. Podemos dizer que crescemos juntos. Eu, ele e Madonna.

Madonna é um pouco minha referência. Quando a vejo inteirona, saradona e ainda batendo um bolão, penso que eu ainda estou na moda, ainda estou podendo. Tenho fé que ela se tornará um Mick Jagger versão feminina.

Lembro-me de Michael Jackson cantando com os irmãos, no Jackson Five. Um garotinho com voz afinadíssima. Quase da minha idade e fazendo o maior sucesso.

Lembro-me de Ben, a balada romântica que embalou meus sonhos de pré-adolescente. Lembro-me do cabelo estilo black power que eles usavam, também conhecido por aqui como cotonete de orelhão.

Michael Jackson também fez parte dos meus embalos de sábado à noite.

Fiz a coreografia de Don’t Stop Till you get Enough nas minhas aulas de jazz.

 Perdi a conta de quantas vezes eu escutei o album Thriller, e de quantas vezes eu vi o clip, maravilhada.

Até aí, apesar das várias cirurgias plásticas, ele ainda conservava as feições humanas. Depois foi se transformando em “Monstro” Jackson.

Não sei  porque ele fez aquilo consigo mesmo. Não sei como existem médicos que concordam em transformar um ser humano numa aberração por dinheiro, e ainda estão por aí, exercendo a medicina.

Da vida privada dele, sei muito pouco. O casamento com a filha do Elvis Presley, os processos por pedofilia, os filhos. O pai que o espancava e o obrigava a trabalhar.

Michael Jackson levou junto com ele um pedaço da minha infância e da minha adolescência.

Farrah Fawcett, a glamourosa da série As Panteras também morreu ontem, depois de perder a batalha contra o câncer.

Que mulher da minha geração não sonhou em ter o cabelão da Farrah Fawcett?

Quem de nós, pelo menos uma vez na vida, não passou horas na frente do espelho fazendo escova para ver se o cabelo ficava pelo menos parecido?

 Quem nunca pediu ao cabelereiro para fazer um corte “igual ao da Farrah Fawcett”?

 Que atire o primeiro secador de cabelos a quarentona que respondeu NÃO a todas as três perguntas!

Vendo meus ídolos de juventude morrendo assim, por atacado, me vem à mente algo que já escutei de pessoas mais velhas. Que o pior de envelhecer é ver todos os seus amigos e contemporâneos partirem antes de você.

A vida segue, o tempo não para, como dizia Cazuza. Só não envelhece quem morre antes. Se for o meu destino passar por isso, fazer o que?

Não pretendo ir agora. Acho que tenho ainda uma meia dúzia de coisas para realizar neste “vale de lágrimas”.

Mas não pretendo ficar para semente!