Outro dia li um texto do publiciário Lula Vieira, sobre coisas que deixam a gente de mau humor.

Concordo com 99% do que ele disse, assim como concordo que a idade deixa a gente mais exigente, menos tolerante e mais ranzinza.

Certas expressões, bastante usadas principalmente em ambientes corporativos me irritam profundamente.

Por exemplo, otimizar. Para mim significa botar a peãozada para trabalhar mais ganhando menos. Ótimo mesmo, só para o patrão…

Agregar valores, superar limites, ser proativo e focar; essa última descaradamente traduzida do inglês ao pé da letra também me deixam com a impressão de que estão me passando atestado de burrice. Parece papo de concorrente a uma vaga no Big Brother.

Atendentes de telemarketing também me dão nos nervos. Pelo menos não é só a mim. Aquela voz monocórdia e robotizada, carregando no gerundismo, vou estar enviando, vou estar providenciando… E quando a gente está a beira de um ataque de nervos, lá vem eles com os chavões do manual: eu compreendo, senhora… eu entendo senhora…

Não entende nem compreende nada! Ai, que raiva!

Outra coisa que me irrita é ex-fumante xiita. Sou ex-fumante e sei bem o sacrifício que é largar o vício. Sempre fui uma fumante limpinha. Não fumava em locais fechados, não jogava guimba no chão, não soltava baforada na cara dos outros. Tirando esses fumantes mal educados, não vejo nenhum problema em estar perto de alguém fumando. Se o infeliz está poluindo o ambiente, os carros, ônibus e caminhões também poluem, ora bolas! E eu não vejo ninguém pagando sugestão para aqueles “simpáticos” e “sorridentes” motoristas de ônibus que teimam em acelerar o possante quando parados no trânsito, como se quisessem passar por cima da gente.

Mas tem ex-fumante que não perde a chance de fazer cara de horror ou de nojo ao ver alguém curtindo seu cigarrinho. Quando não dão lição de moral ou ficam resmungando alto para todos escutarem.  Parece que não se garantem, ou que se consideram   superiores só porque pararam de fumar.

Mal sabem eles que o risco de recaída é enorme… e que não adianta de nada a gente não ter pequenos vícios, mas ter os grandes.

Posso até estar dando (olha o gerundismo aí, gente!) um tiro no pé, já que meu trabalho tem relação com isso, mas alguns especialistas em motivação de pessoal que vão dar palestras em empresas também me incomodam.

Implico solenemente com esse negócio de fazer as pessoas pagarem mico, “trocando energias” com gente que não se tem a menor intimidade, sendo obrigadas a apontar características de colegas de trabalho que depois vão ter que continuar a conviver todo santo dia (e se a pessoa não gostar?).  Ah, fala sério!

A lista de coisas que me irritam é longa. Mas, para terminar eu lanço uma pergunta: Qual a opinião de vocês a respeito de pessoas que se despedem com “um beijo no coração”? Será que existe vida inteligente nesse ser?