Esperei passar meu inferno astral para “entrar na faca”. A cirurgia, postergada por vários meses acabou sendo inevitável. Detalhes que darei, só as mulheres entenderão.

Homens não compreendem o que é se encharcar de hormônios todos os dias, sob pena de viver em constante hemorragia que te deixa em situações deveras embaraçosas.

Também não fazem idéia do que é viver com absorventes dentro da bolsa, para o caso de uma eventualidade que nem é tããão eventual assim.

Mas não posso me queixar da vida. Como mulher, sempre me considerei “abençoada”.

Fiquei menstruada na idade certa, meu fluxo sempre foi na quantidade certa, tomei anticoncepcionais por longos periodos sem nenhum efeito colateral, TPM eu só fui saber o que era depois do nascimento do meu filho.

Sempre fui um relógio, raras vezes tive cólicas, nunca deixei de fazer nada porque estava menstruada.

Até que eles chegaram… Os miomas! A pricípio era só um. Depois se proliferaram. Todos minúsculos, mas causando um grande estrago. Todo mês era uma tortura. Não entrarei em detalhes, mas a mulherada vai entender.

O médico aumentou a dose diária de hormônio para conter a cachoeira, esperando eu entrar na menopausa. Disse para ele: “Doutor, minha mãe entrou na menopausa com 55 anos, minha avó com 56. É ruim eu entrar agora…”

E não entrei mesmo. Veio o ultimato: “Você não pode ficar tomando essa dose toda de hormônio indefinidamente, vai te fazer mal a curto prazo. A única saída é a cirurgia.”

Então tá, né? Comecei a me preparar psicologicamente. Confesso que fiquei um pouco chateada em perder o útero. Não que servisse para muita coisa ultimamente. Já fiz bom uso dele me reproduzindo. E só estava me causando aporrinhação e constrangimentos. Mas eu gostaria de morrer com ele. Sou muito apegada a meus orgãos. E ainda tem os quilos a mais que toda mulher ganha ao entrar na menopausa. Somando com os que eu já tenho, corro o risco de arrumar emprego como a Mulher Gorda do Circo.

Pensei no lado bom. Nunca mais menstruar! Nunca mais comprar absorventes! Nunca mais passar vexame!!! U-huuuu!!!

No hospital, o anestesista veio me ver. Perguntou se eu já tinha tomado a peridural. Sim, na cesariana. Disse que odeio sentir dor e perguntei se ele podia me dar morfina depois da cirurgia. Ele disse que tudo bem, ia fazer um coquetel. Pedi: “Eu quero aquele que o Michael Jackson tomava”. Sou junkie mesmo.

Na mesa de cirurgia, a tal da peridural doeu muito mais do que eu lembrava. Pressão na coluna, medo de ficar paralítica. Acho que ele exagerou na dosagem.

 A enfermeira colocando a sonda: “Levanta as pernas.” Eu: “Mas eu não estou sentindo as minhas pernas!” A anta não entendeu. “Deixe as pernas dobradas para eu colocar a sonda!” E eu: “Eu já falei que não estou sentindo as pernas, cacete!”

Até que o médico me salvou: “Minha filha, ela não está sentindo as pernas! Não tem controle sobre elas, entendeu?”

E lá estava eu, paralisada até o diafragma, sem conseguir tossir, achando que ia morrer, totalmente entregue. O médico passando alcool iodado na minha barriga e falando: “Pra você não ficar nervosa eu dei um remedinho pra você apagar.”

 Então não era a morte, era o remedinho… Sentindo a inconsciência chegando, protestei: “Mas eu não quero apagar!!!”

A última coisa que eu disse foi: “O que você faz com o útero depois que tira?” Ele respondeu: “Mando para o laboratório.” E apaguei.

Acordei já no final, com máscara de oxigênio na cara. Se aquilo tinha oxigênio eu não senti. Comecei a tirar minha cara da máscara. O médico falou: “Eu coloquei para você respirar melhor.” E eu, já de mau humor: “Tem muito oxigênio aqui fora, não precisa!”

Fui para o quarto. O anestesista me avisou que eu sentiria um pouco de coceira depois. Só não me avisou do suadouro que ocorreria no pós anestesia. E lá fiquei eu, suando e coçando durante horas. Minha maior preocupação era sentir minhas pernas novamente e me certificar de que eu não ficara paralítica com a anestesia.

Depois fui melhorando. Dois dias depois estava em casa. Lar doce lar! Finalmente pude dormir! No hospital é um entra e sai de enfermeira a toda hora, luz acesa na sua cara… Tentei convencer duas delas a me dar um remedinho para dormir. Não obtive sucesso, elas são bem treinadas.

Estou melhor agora. Semana que vem tiro os pontos. Ainda não deu para ver como é a vida sem útero. As modificações não começaram.

Novo tempo, nova fase. Como será o amanhã?

Minha geração é maldita. Ou então é amaldiçoada.

Minha geração se mata por descuido, por prazer ou por doideira. A verdade é que não temos grande amor à vida.

É só ver como morreram Cazuza, Renato Russo, Cássia Eller, Michael Jackson… Isso para citar os mais famosos. Fora meu grande amigo Fábio, que me faz muita falta nossas conversas.

Minha geração morre na praia. Vide a blogueira que vos escreve, que teve seu tapete puxado aos 44 do segundo tempo, viu sua vida profissional ir pelo ralo e ficou no limbo. Ou no vácuo. Muito jovem para se aposentar. Muito velha para o mercado de trabalho formal. E não foi só comigo.

Quando minha geração começou a vida sexual, a AIDS não existia. Era uma  doença misteriosa que matava pessoas que não tinham nada a ver com a gente, em outro mundo, em outra realidade. Como se pegava? Niguém sabia ao certo.  Nossa maior preocupação era evitar gravidez, no caso das mulheres, ou evitar ter que ir à farmácia tomar injeções doloridas, no caso dos homens.

Desfrutávamos tranquilamente a liberdade sexual, legado da geração passada, quando nos pegaram na curva com a tal da AIDS. Éramos ainda muito jovens. Estávamos só namorando, ficando, brincando… E agora? O que estava feito, estava feito. E os que foram infectados? Além de tudo, tinham que aguentar os dedos apontados.  Tempo perdido?

Quando nossa geração começou a fumar, o cigarro era aceito socialmente em todos os lugares. Fumar era chique, era moderno. Nos filmes, nas novelas, todo mundo fumava. E a gente fumava porque queria ser chique e moderno.

Então veio a onda do politicamente correto, e o fumo passou a ser o demônio causador de todos os males, e o fumante passou a ser execrado e discriminado. E agora? Novamente nos apontavam o dedo… Mais tempo perdido?

Até para se drogar nossa geração é fraca. Quando eu vejo hoje dinossauros do rock que se drogaram até a alma, indo para a casa dos setenta inteirões, e vejo a galera mais nova tendo overdose por qualquer coisinha…

Mas a minha vingança, a nossa vingança, é que apesar de todas as maldições, apesar do tempo perdido, nossos ícones permanecem. Depois deles não apareceu mais ninguém.

Quando escuto do meu filho adolescente que ele prefere ouvir Legião Urbana e outras músicas “do meu tempo” porque não tem muita coisa que preste na geração atual. Quando eu percebo que as referências dele e de outros jovens da mesma idade ainda são as da minha geração, vejo que ele tem razão.  A geração de agora não é maldita, mas é careta, engessada e sem imaginação.

Apesar de tudo, apesar dos pesares, conseguimos deixar uma mensagem.

Talvez não tenha sido tempo perdido.

 

Informo a quem interessar, que ao ler o meu post Pó de Sumiço, um gentil anônimo me informou que tal substância pode ser encontrada em casas de Umbanda sob o nome de pó de mico.

Não posso comprovar se o pozinho comercializado tem a mesma eficácia daquele usado pela Sebastiana, tempos atrás. Este sim, eu sou testemunha de sua poderosa mandinga.

Anyway, não custa tentar, né? Na próxima vez que eu passar próximo a uma casa de artigos religiosos, vou adquiri-lo para o caso de uma necessidade.

Será que funciona a longa distância? Para aqueles encostos que mesmo não estando de corpo presente incomodam pra cacete…

Já fiz aqui a lista de alguns dos meus filmes favoritos no post Filmes de Cabeceira .

 Agora farei a lista dos meus filmes Troféu Framboesa, isto é, os piores filmes que eu já vi.

Existem alguns que são unanimidades de tão ruins.

Outros eu acho que a unanimidade foi burra em gostar, e eu vou contra a maré e não gosto.

 Ou então a errada sou eu em não apreciar. Ou não…como diria Caetano.

Algumas experiências cinematográficas foram tão ruins, mas tão ruins, que o consciente bloqueou os filmes em questão e eu nem me lembro dos nomes.

Mas alguns marcaram.

Categoria unanimidade burra (todo mundo a-do-rou e eu de-tes-tei):

- Matrix – Eu juro que fiz de um tudo para pelo menos tentar entender o porque todo mundo acha o filme o máximo. Nem tenho nada contra o Keanu Reeves, acho até ele bom ator. Mas não deu. Parei na cena do ”oráculo” vigiando os cookies no forno. Ah, francamente!

- O Senhor dos Anéis – Nem me dei ao trabalho de terminar de ver. Desnecessário dizer que nem tentei ver as continuações.

- O Carteiro e o Poeta – Neruda era um chato!

- Cidadão Kane – Tá bom! Eu vi o filme quando tinha uns 14, 15 anos. Vou pensar se dou uma segunda chance. Quem sabe um dia?

Da série “Como ganhar o Oscar puxando saco de americano”

- A Vida é Bela – Mas tudo tem limite, né?

Proibidões pela ditadura

- O Ultimo Tango em Paris – Chaaato… Não se salva nem a famosa cena da manteiga.

- Je vous salue Marie – zzzzzzzzz……

Comunista de boutique

- Diários de uma Motocicleta – Não adianta dizer que Che era isso, que Che era aquilo. Para mim ele era um chato. A única diferença é que era um chato comunista (xiii…. piorou!)

Meu Brasil nordestino

- O Auto da Compadecida – atores excelentes, boa direção, tudo de bom. Por que será que eu não gostei? Sei lá! Só sei que foi assim.

 

Categoria Sheakspeare

-Romeu e Julieta – Nem sei porque eu vi o filme se nem do livro eu gostei.

- Sheakspeare Apaixonado – zzzzzzz…..[2]

Filme cabeça

- O Ano Passado em Marienbad – Filme francês, mandatório para intelectuais e intelectualóides do final dos anos 70. Todos tinham obrigação de gostar, fazer cara de conteúdo e entender a “mensagem”. A mensagem é: recomende aos seus inimigos.

Maridos obsessores

- P.S. I Love You – Muito fraquinho… É compreensível e até louvável  a viúva sentir saudades do marido morto, etc. e tals. Mas deixar o de cujus comandar sua vida através de cartas (que nem eram psicografadas nem nada), e seguir tudo fielmente? Ah, fala sério!

Concorrentes ao ultimo Oscar

Onde os Fracos não tem Vez – Começa interessante, mas acaba de repente e deixa todo mundo no “ora veja…” Ai, que ódio!!!

Quem quiser pode adicionar outros à lista. Talvez eu concorde. Ou não…

Quem quiser jogar tomates e ovos, favor joga-los devidamente frescos, pois assim eu aproveito e faço uma feirinha.

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